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Uso de Telas por Crianças: Quais os Riscos e Como Proteger seu Filho

Tempo de leitura: 11 min

Escrito por Gerlane Muniz
em 22/07/2025

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Nos últimos anos, o uso de telas por crianças tem se tornado um hábito cada vez mais comum dentro dos lares. Celulares, Tablets, TVs e Computadores fazem parte da rotina das famílias, muitas vezes desde os primeiros meses de vida dos pequenos. Embora a tecnologia traga benefícios quando bem utilizada, é preciso ter atenção aos riscos envolvidos, especialmente durante as fases mais importantes do desenvolvimento infantil.

Como Neuropsicopedagoga, acompanho diariamente crianças que apresentam dificuldades cognitivas, comportamentais e emocionais que, em muitos casos, estão associadas ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos.

E é por isso que escrevi este artigo: para orientar pais e responsáveis sobre os principais impactos das telas no cérebro em desenvolvimento e mostrar caminhos práticos para proteger seus filhos sem precisar excluir totalmente a tecnologia da vida familiar.

Ao longo deste texto, você vai entender o que significa o uso excessivo de telas, quais são os principais riscos, o que dizem as pesquisas científicas e, claro, como criar uma rotina mais saudável com o uso consciente da tecnologia.

O que significa “uso excessivo de telas”?

O uso excessivo de telas por crianças não se refere apenas ao tempo em que elas ficam com um celular ou tablet na mão, mas também ao contexto e à frequência com que isso acontece ao longo do dia. Quando a exposição à tecnologia substitui interações humanas, brincadeiras ativas, sono adequado e momentos em família, ela se torna um risco silencioso para o desenvolvimento saudável.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial da Saúde (OMS), as recomendações de tempo de tela por idade são:

  • Crianças de até 2 anos: nenhuma exposição a telas, mesmo que passiva (TV ligada, por exemplo).
  • Crianças de 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia, com supervisão de um adulto.
  • Crianças entre 6 e 10 anos: até 2 horas por dia, com pausas, conteúdo adequado e supervisão.
  • A partir dos 11 anos: o uso pode ser mais flexível, mas sempre com limites e acompanhamento.

No entanto, na prática, muitas crianças passam horas conectadas, seja assistindo vídeos no YouTube, jogando, navegando em redes sociais ou utilizando aplicativos aparentemente educativos. Situações como:

  • Usar o celular para distrair a criança durante as refeições;
  • Oferecer o tablet como forma de “acalmar” antes de dormir;
  • Permitir o uso desenfreado aos finais de semana, como forma de compensação;
  • Substituir momentos de brincadeira por tempo de tela;

… são mais comuns do que imaginamos e podem parecer inofensivas, mas quando se tornam rotina, contribuem para uma exposição nociva.

É importante lembrar que a infância é o momento em que o cérebro está formando conexões importantes, e a forma como a criança interage com o mundo real é essencial para esse processo.

Como o cérebro infantil reage ao uso de telas

O cérebro da criança está em pleno processo de desenvolvimento e aprendizado, especialmente nos primeiros anos de vida. É nesse período que se formam conexões neurais essenciais para funções como atenção, linguagem, memória, controle emocional e habilidades sociais. Quando há um uso excessivo de telas por crianças, esse desenvolvimento pode ser impactado negativamente, muitas vezes de forma silenciosa.

Diferente das interações reais, que envolvem múltiplos estímulos (visuais, táteis, auditivos, afetivos), o uso das telas costuma oferecer estímulos repetitivos, rápidos e passivos. Isso acaba treinando o cérebro para buscar gratificação imediata e dificultando o desenvolvimento da paciência, da empatia e da concentração.

Além disso, estudos mostram que a exposição prolongada a dispositivos eletrônicos pode alterar áreas do cérebro relacionadas à linguagem e à tomada de decisões. Crianças que passam muito tempo diante das telas tendem a apresentar:

  • Dificuldade de manter a atenção em tarefas simples;
  • Irritabilidade e agitação quando precisam ficar longe dos aparelhos;
  • Menor interesse por atividades que exigem esforço mental ou interação social;
  • Atrasos no desenvolvimento da fala e da comunicação.

É importante destacar que o uso de telas por crianças, quando ocorre sem supervisão e sem equilíbrio, pode alterar o modo como elas percebem o mundo ao redor. O cérebro infantil precisa de experiências reais como brincar, correr, conversar, ouvir histórias, para se desenvolver de forma saudável e completa.

Portanto, o problema não está apenas no tempo em frente à tela, mas principalmente na qualidade das experiências que estão sendo deixadas de lado por causa dela.

Quais são os principais riscos do uso de telas em excesso?

O uso excessivo de telas por crianças pode trazer uma série de consequências negativas para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Embora muitos pais vejam a tecnologia como uma aliada para entreter ou até mesmo “ensinar”, a verdade é que o excesso e o uso sem critério podem comprometer áreas fundamentais do crescimento infantil.

Na sequência, vou listar os principais riscos associados ao uso abusivo de celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos:

Déficits de atenção

Crianças expostas por longos períodos a estímulos visuais e sonoros intensos (comuns em vídeos e jogos) tendem a desenvolver dificuldade em manter o foco em atividades mais simples, como ouvir uma explicação ou realizar uma tarefa escolar.

Atrasos na fala e linguagem

O tempo excessivo diante das telas, principalmente nos primeiros anos de vida, reduz a quantidade e a qualidade das interações verbais com adultos. Isso pode prejudicar o desenvolvimento da fala, da escuta ativa e da capacidade de expressar ideias com clareza.

Problemas de sono

A luz azul emitida pelos dispositivos interfere na produção de melatonina, o hormônio do sono. Quando a criança usa telas antes de dormir, pode apresentar dificuldade para pegar no sono, ter um sono mais leve ou acordar cansada.

Comportamentos de irritação e ansiedade

O uso constante de telas pode levar a um comportamento mais impulsivo, intolerância à frustração e crises de irritabilidade quando o acesso aos aparelhos é restringido. Isso acontece porque o cérebro se acostuma com a recompensa imediata proporcionada pelos jogos e vídeos.

Isolamento social

Quando o tempo de tela substitui o convívio com outras crianças e adultos, a criança perde oportunidades valiosas de aprender a compartilhar, dialogar, esperar sua vez e lidar com diferentes emoções; habilidades fundamentais para a vida em sociedade.

Sedentarismo e problemas físicos

O tempo prolongado em frente às telas também está relacionado ao aumento do sedentarismo, ao ganho de peso, à má postura e até a dores musculares em crianças cada vez mais novas.

Esses riscos não surgem de um dia para o outro, mas vão se acumulando ao longo do tempo. É por isso que reconhecer os sinais e ajustar os hábitos familiares é fundamental para promover uma infância mais equilibrada e saudável.

O que dizem as pesquisas e recomendações oficiais?

O debate sobre o uso de telas por crianças tem sido amplamente estudado por instituições de saúde e especialistas em desenvolvimento infantil. Com o crescimento do acesso a celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos, diversos estudos vêm apontando os impactos negativos da exposição precoce e prolongada às telas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já estabeleceram diretrizes claras sobre o tempo de tela recomendado para cada faixa etária, como mencionamos anteriormente. No entanto, mais do que tempo, essas instituições também alertam para a importância da qualidade do conteúdo acessado e, principalmente, do contexto em que essa exposição acontece.

Um estudo publicado no jornal científico JAMA Pediatrics revelou que crianças que passavam mais de duas horas por dia em frente às telas apresentavam níveis mais baixos de habilidades cognitivas, especialmente aquelas ligadas à linguagem e à memória. Outro dado importante é que a exposição a telas antes de dormir está associada a distúrbios do sono, aumento da ansiedade e maior irritabilidade.

Além disso, estudos apontam que o uso excessivo de tecnologia reduz o tempo destinado a interações familiares, brincadeiras criativas e atividades físicas, fatores fundamentais para o desenvolvimento emocional e social das crianças.

Essas evidências reforçam o que já observamos na prática clínica: o equilíbrio entre o mundo digital e o real é essencial para garantir uma infância mais saudável e rica em experiências significativas.

Como reduzir o uso de telas de forma saudável

Sabemos que proibir completamente o uso de telas hoje em dia, embora seja recomendado, é praticamente impossível, especialmente em um mundo cada vez mais conectado. No entanto, é possível e até necessário, estabelecer limites e criar hábitos mais saudáveis em família. O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas sim usá-la de forma consciente, com equilíbrio e responsabilidade.

Veja algumas estratégias eficazes para reduzir o tempo de tela de forma leve e natural:

Estabeleça regras claras e consistentes

Defina horários para o uso de dispositivos eletrônicos e deixe essas regras visíveis para a criança. Por exemplo: nada de telas durante as refeições, antes de dormir ou nos momentos de estudo. A previsibilidade ajuda a criança a entender os limites com mais facilidade.

Seja exemplo dentro de casa

As crianças aprendem muito mais com o que veem do que com o que ouvem, inclusive esse é o tema central do meu livro e você pode conhecê-lo clicando aqui. Quando os adultos estão sempre com o celular na mão, a mensagem que fica é de que isso é normal e aceitável. Reduzir o uso de telas em família fortalece o vínculo e incentiva outras formas de conexão.

Substitua por atividades envolventes

Ao invés de simplesmente dizer “não”, ofereça alternativas interessantes. Proponha jogos de tabuleiro, leitura de histórias, desenho, massinha, culinária simples, brincadeiras ao ar livre e outras atividades que estimulem a criatividade e o movimento.

Crie uma rotina estruturada

Organizar o dia da criança com horários definidos para brincar, estudar, se alimentar e descansar ajuda a diminuir o tempo ocioso, que geralmente é ocupado pelas telas. Rotina é segurança e quando bem construída, reduz os pedidos por celulares e tablets.

Use a tecnologia com presença e propósito

Quando a criança for usar um dispositivo, prefira conteúdos educativos, curtos e sempre acompanhados por um adulto. Transforme esse momento em uma experiência compartilhada, comentando o que estão assistindo ou jogando.

Promova o tédio criativo

Não há problema em a criança “ficar entediada” de vez em quando. O tédio é um convite à imaginação. É nesses momentos que nascem ideias, invenções, brincadeiras novas. Permita que ela descubra como se divertir com o que tem ao redor.

Com pequenas mudanças na rotina, é possível transformar o relacionamento da criança com a tecnologia. O segredo está no equilíbrio e na intencionalidade: menos passividade, mais presença real.

Quando procurar ajuda profissional?

Em muitos casos, o uso de telas por crianças pode ser ajustado com orientações simples em casa, como reorganizar a rotina e oferecer atividades mais envolventes. No entanto, existem situações em que os impactos dessa exposição excessiva já começam a afetar o desenvolvimento da criança de maneira mais evidente e nesses casos, buscar a ajuda de um profissional é fundamental.

Fique atento aos sinais que podem indicar a necessidade de acompanhamento especializado:

  • Atrasos na fala ou na comunicação verbal
  • Dificuldade de atenção e concentração
  • Irritabilidade constante quando o uso das telas é limitado
  • Pouco interesse por brincadeiras que não envolvem tecnologia
  • Problemas frequentes de sono
  • Isolamento social ou dificuldades de interação com outras crianças

Se você percebe que o tempo de tela está comprometendo o comportamento ou o desenvolvimento do seu filho, é hora de procurar uma neuropsicopedagoga, psicopedagoga, psicóloga ou outro profissional especializado em infância. Esses profissionais podem realizar uma avaliação detalhada, identificar possíveis impactos e orientar a família sobre os melhores caminhos para reverter ou minimizar os efeitos.

Aqui no meu espaço, acompanhamos crianças que apresentam diferentes dificuldades cognitivas, emocionais e comportamentais, muitas das quais estão diretamente associadas ao uso desregulado da tecnologia. E é sempre possível ajustar esse cenário, com orientação, paciência e acolhimento.

O quanto antes os pais reconhecem os sinais e buscam ajuda, maiores são as chances de recuperar o equilíbrio e fortalecer o desenvolvimento infantil de forma saudável.

Conclusão

O uso de telas por crianças é uma realidade da vida moderna e, quando bem orientado, pode fazer parte de uma rotina saudável. O problema surge quando a tecnologia começa a ocupar o lugar das interações humanas, das brincadeiras criativas e das experiências que realmente contribuem para o desenvolvimento do cérebro infantil.

Como vimos ao longo deste artigo, a exposição excessiva pode trazer riscos significativos, mas é possível reverter essa situação com pequenas mudanças diárias. O mais importante é que os pais estejam atentos, presentes e dispostos a oferecer à criança aquilo que nenhuma tela pode substituir: afeto, diálogo, contato visual, brincadeiras no chão e tempo de qualidade em família.

Se você percebe que o uso de telas já está afetando o comportamento, a fala, o sono ou o rendimento escolar do seu filho, não hesite em buscar ajuda profissional. Uma avaliação feita no tempo certo pode evitar problemas maiores no futuro e abrir caminho para uma infância mais leve, equilibrada e feliz.

Quer entender melhor como o uso de telas está impactando o desenvolvimento do seu filho?

Agende uma avaliação com nossa equipe. Aqui no Espaço Gerlane Muniz, oferecemos acompanhamento especializado com olhar atento e humanizado para cada criança.

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